10 Maio 19

O impacto das Áreas Úmidas no fluxo de carbono atmosférico

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As áreas úmidas (AUs) são as principais fontes naturais de metano (CH4) e representam um terço das emissões globais totais de CH4. Ao mesmo tempo, as AUs podem representar sumidouros consideráveis ​​de carbono devido à alta produtividade e o potencial de sequestro proporcionado por condições anaeróbias sazonais ou permanentes de suas superfícies inundadas. Para quantificar o impacto no ciclo global de carbono de áreas úmidas, pesquisadores do INAU recentemente publicaram um artigo[1]  que foi destaque na edição do prestigioso Journal Nature  Plants de 4 abril de 2019[2].

Os pesquisadores analisaram os fluxos do ecossistema de dióxido de carbono (CO2) e metano (CH4) nas extensas florestas sazonalmente inundadas da maior área inundável do mundo, o Pantanal Mato-grossense. Entender os fluxos de carbono que ocorrem nesses ecossistemas é crítico, pois cerca de 35% das AUs da Terra estão localizadas nos trópicos.  No estudo realizado entre os anos de 2014 e 2017, os pesquisadores descobriram que as florestas inundadas sazonalmente eram sumidouro de carbono durante o período de inundação, quando as condições se tornam anaeróbicas. No entanto, eles estimam que os fluxos combinados de CO2 e CH4 representam uma fonte de emissão quando se considera uma projeção de 20 e 100 anos.

A absorção de CO2 aumenta no início da estação chuvosa em função do aumento das taxas fotossintéticas destas comunidades. Entretanto, isto diminui ao longo do tempo, pois outros processos como a queda das folhas, a decomposição da liteira e o efluxo de CO2 no solo tornam-se prevalentes.  A liberação de CH4 para a atmosfera aumenta quando o solo se torna saturado com água durante a estação chuvosa. O balanço de carbono dessas florestas depende dos padrões de precipitação e da extensão espacial e temporal das inundações. Se esses ecossistemas serão aliados ou inimigos diante do aquecimento global, dependerá do efeito específico do clima na mudança do ciclo hidrológico regional.

 

[1]  DALMAGRO, H. J.  et al. Radiative forcing of methane fluxes offsets net carbon dioxide uptake for a tropical flooded forest. Global Change Biology, p. 1-15,  2019. ISSN 1354-1013. Disponível em: https://onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/gcb.14615 .

[2]  BARRAL, A. Carbon balance double agents. Nature Plants, v. 5, n. 4, p. 333-333, 2019/04/01 2019. ISSN 2055-0278. Disponível em: < https://doi.org/10.1038/s41477-019-0407-y >.

 

 

 

 

Ler 70 vezes Última modificação em Sexta, 10 Maio 2019 10:27
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