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Rede Pantaneira de Bioprospecção do CPP tem avaliação positiva - [ 04/04/2008 ]
 
A avaliação da Rede Pantaneira de Bioprospecção do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), apontou resultados positivos das pesquisas para a produção de fitoterapicos e de bioinseticidas, apresentadas durante o II Workshop de Avaliação da Rede Pantaneira de Bioprospecção, realizado pelo Centro de Pesquisa do Pantanal - CPP, em Chapada dos Guimarães-MT. O comitê avaliador formado por Renato Sergio Balão Cordeiro - pesquisador titular da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); Paulo Cezar Vieira - professor da Universidade Federal de São Carlos e Eudes da Silva Velozo - professor da Universidade Federal da Bahia, considera a rede estratégica para o maior conhecimento e preservação da biodiversidade existente no Pantanal. O estudo dos produtos naturais na região é fundamental para a descoberta de bioinseticidas, fitoterápicos e novos compostos com potencial terapêutico, além de outras aplicações econômicas.
A rede está desenvolvendo dois grandes projetos: um sobre fitoterapicos, que trabalha com plantas com atividade antiinflamatória, analgésica e antidiabetes e o segundo com plantas que possuem ação bioinseticida.
O Comitê avaliador enfatizou que está sendo desenvolvido, de maneira bem satisfatória e com notável progresso desde a primeira avaliação (junho/2007), o projeto sobre a ação inseticida de extratos da planta Anacardium humile, conhecida popularmente como “cajuzinho do cerrado”, para combate das larvas do mosquito Aedes aegypit (mosquito da dengue e febre amarela). O comitê propôs a apresentação deste projeto em eventos da área de medicina tropical.
O secretário executivo do CPP Paulo Teixeira de Sousa Jr ficou satisfeito com o resultado desta avaliação, pois ratificou que o trabalho desenvolvido pelo CPP está no caminho certo, além de nortear as próximas ações. Ele lembrou que o primeiro ano de implantação desta rede foi muito conflituoso no que tange a parte física, implantação de laboratórios e problemas de relacionamento pessoal e institucional, dentre outros, mas que estes problemas já foram amplamente superados, conforme pode ser visto durante essa reunião de avaliação.
De acordo com Paulo Teixeira atualmente há uma notável interação entre as instituições e pesquisadores, as equipes estão bem afinadas, os projetos forma elaborados em conjunto e o trabalho da rede está bem estruturado, tendo inclusive obtido contrapartida financeira opcional de algumas instituições, o que contribui para agregar valor ao trabalho realizado pelo CPP. “Os trabalhos realizados pelo CPP contribuem também para as políticas públicas voltadas à superação das chamadas assimetrias regionais, porque se a Ciência e Tecnologia – C&T, é boa para o País, então tem que ser para todas as regiões e não se concentrar apenas no sul e sudeste. O investimento deve contemplar todas as regiões do país, da forma mais equinânime possível, sempre pautado no mérito acadêmico, respeitadas as características e peculiaridades de cada região”, destacou afirmando ainda que “é preciso empoderar o pesquisador, dar ferramentas para que seja competitivo ao participar de editais em níveis nacional e internacional”.
A parceria entre o MCT e o CPP comprova isto, uma vez que o trabalho realizado em rede entre dois estados da região Centro Oeste é um sucesso, com um método de gestão inovadora. Nesse sentido, Paulo Teixeira sugeriu para a representante do MCT, que o órgão visite os laboratórios implantados pelo CPP nas instituições integrantes da rede. Além das pesquisas em desenvolvimento, vale ressaltar que também há grande número de artigos e publicações veiculados em periódicos nacionais e internacionais e informativos especializados. São estas publicações, produtos da parceria com o CPP, que tem possibilitado a estes pesquisadores, através da melhoria de seus CVs, obter recursos em processos competitivos, possibilitando que "andem com as próprias pernas".
O secretário executivo do CPP enfatiza "que este sucesso é mérito de toda equipe, que conta com a forte participação, envolvimento, empenho e divisão das tarefas de forma igualitária nos dois Estados”.
Renato Sergio Balão Cordeiro - pesquisador titular da Fiocruz disse que há um crescimento exponencial de qualidade dos trabalhos desenvolvidos para pesquisa de produtos naturais. “É muito interessante este trabalho de descortinar toda esta biodiversidade desconhecida, poder trazer substancias com grande potencial terapêutico a ser usado pela população. Acredito na flora e fauna pantaneira”. Ele destacou que o trabalho sobre bioinseticidas realizado pelos pesquisadores sul-mato-grossenses, pode ter um potencial fantástico para combater as larvas do Aedes aegypt e deve-se ampliar as pesquisas. “Acredito que pode sair daqui (CPP) a solução para combater o mosquito da dengue”, ressaltou.
O professor da Universidade Federal da Bahia Eudes da Silva Velozo é da mesma opinião de Sérgio, contou que percebeu uma evolução grande no desenvolvimento dos trabalhos da rede, houve um salto qualitativo. “O grupo que trabalha com bioinseticida avançou mais, se diferenciou na aplicação do recursos, organização, etc”, entretanto disse que de maneira geral a rede está cumprindo seu papel, alterando o perfil da pesquisa na área da bioprospecção na região.
Maria Luiza Braz Alves coordenadora geral de Gestão de Eco Sistema do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), disse a parceria entre o MCT e o CPP está cada vez mais sólida. Ela salientou que os objetivos do CPP estão sendo alcançados, como à integração entre as instituições dos dois estados e a formação de profissionais especializados. Sobre os projetos disse que estão bem sucedidos e este workshop de avaliação é fundamental para orientar cada vez mais o trabalho da rede.
Pesquisas –A Rede Pantaneira de Bioprospecção desenvolve dois projetos que envolvem as áreas de química, botânica, farmacologia e agronomia, com pesquisadores de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. As instituições participantes são: a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Embrapa Pantanal, Universidade para o Desenvolvimento do Estado e da Região do Pantanal (UNIDERP), Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e Universidade Católica Dom Bosco (UCDB).
A pesquisa que busca a produção de um fitoterápico a partir de plantas usadas com fins medicinais pela população pantaneira está sendo coordenada pela UFMT.
O outro projeto é coordenado pela UNIDERP e procura a produção de um bioinseticida para controle de pragas, como a mosca branca (parasita em plantações) e a mosca do chifre (parasita de gado), e vetores responsáveis por uma série de doenças como o Aedes aegypti, mosquito transmissor da dengue.
CPP – O Centro de Pesquisa do Pantanal é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) que tem o objetivo de produzir conhecimento e formar recursos humanos para subsidiar políticas públicas voltadas ao uso sustentável do Pantanal, a maior área periodicamente alagada do mundo. Atualmente, cerca de 120 pesquisadores de instituições de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul participam das ações do CPP.
Fonte: Studio Press
 
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