English  

Pesquisas do CPP têm avaliação plenamente satisfatórias - [ 30/05/2007 ]
 
O desenvolvimento dos onze projetos de pesquisa da Rede de Pesca do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP) foi considerado plenamente satisfatório pelo Comitê Científico composto por renomados pesquisadores da área. A análise foi realizada durante o 3º Workshop de Avaliação da Rede de Sustentabilidade da Pesca no Pantanal, realizada nos dias 29 e 30 de maio, no Hotel Fazenda Mato Grosso, em Cuiabá-MT.
Para o secretário-executivo do CPP, Paulo Teixeira de Sousa Júnior, a atividade, que é feita anualmente, é fundamental para que os projetos possam atingir seu objetivo, que é subsidiar a formulação de políticas públicas sustentáveis da pesca no Pantanal. “O trabalho que o CPP vem realizando difere um pouco da pesquisa acadêmica, pois é realizado em parceria com a comunidade, procurando atender suas demandas”, explica.
Segundo a coordenadora da rede, Emiko Kawakami Resende, nesses três anos os pesquisadores já conseguiram colher muitos dados sobre a atividade pesqueira, a influência da inundação sobre a biodiversidade na região e as características e hábitos das espécies de peixes do Pantanal. Os projetos, que envolvem 33 pesquisadores entre professores, estudantes de graduação e pós-graduação de instituições de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, iniciaram em 2005 e devem ser concluídos até dezembro de 2008. Integram a Rede de Pesca do CPP pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), da Universidade do Estado de Mato Grosso (UNEMAT), da Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS), da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS) e da Embrapa Pantanal.
O próximo desafio da rede é realizar pesquisas mais práticas fazendo o intercâmbio de pesquisadores, pescadores e gestores públicos. “Nossa expectativa é que o trabalho extrapole o setor acadêmico e chegue até a comunidade pantaneira”, define a coordenadora de Políticas e Programas Setoriais Ambientais do Ministério de Ciência e Tecnologia (MCT), Maria Luiza Braz Alves, que também participou do workshop.
Maria Luiza lembrou que o termo de parceria entre o MCT e o CPP, que encerra no final do ano, será prorrogado. “O CPP já está incluído tanto no Plano Plurianual 2008-2011 quanto no plano de metas 2007-2010 do Ministério”, informou.
Um dos integrantes do Comitê Avaliador, o pesquisador do Max-Planck - Institut fur Limnologie (Alemanha), Wolfgang J. Junk, ficou bastante satisfeito com o desenvolvimento dos projetos. “Não temos dúvidas de que eles contribuirão para o manejo sustentável da pesca no Pantanal. Todos os cientistas adotaram as recomendações feitas na última avaliação e tiveram bastante progresso”, analisa. O pesquisador destaca ainda a proposta do CPP de atuar em redes. “É uma abordagem nova que está começando a funcionar e que modifica o individualismo do cientista”, diz.
Na opinião do professor da Universidade Estadual Paulista, Miguel Petrere Júnior, que também fez parte do Comitê Avaliador, a principal contribuição do CPP é a geração de recursos humanos qualificados que permanecem no Pantanal. “É uma mão-de-obra de qualidade que o Centro-Oeste tanto precisa”, afirma. O coordenador geral de Incentivo à Pesquisa e Geração de Novas Tecnologias da Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Eric Arthur Bastos Routledge, e o professor da Universidade Estadual de Maringá, Ângelo Antonio Agostinho, completaram o grupo que fez a avaliação.
Tecnologia Social – Durante o 3º Workshop de Avaliação da Rede de Sustentabilidade da Pesca no Pantanal também foi realizada a palestra “Tecnologia Social na Cadeia Produtiva do Peixe no Pantanal”. Os participantes puderam conhecer o trabalho da Cooperativa dos Pescadores e Artesãos de Pai André e Bom Sucesso (Coorimbatá), que será parceira do CPP. Localizada em Várzea Grande, trabalha no processamento de frutas (manga e banana) e abacaxi in natura, na fabricação de doce de manga, banana e abóbora, e na comercialização de peixe fresco e de tanque.
De acordo com o coordenador de projetos da Coorimbatá, Nicolau Priante Filho, a tecnologia social consiste em desenvolver produtos, técnicas ou metodologias interagindo com a comunidade e promovendo transformações sociais. O processo foi iniciado em 1999, dois anos depois da fundação da cooperativa, através de um projeto de extensão da UFMT.
Como resultado, a organização, que conta com 42 cooperados, estendeu seu trabalho para outros grupos não-cooperados, como assentamentos, comunidades quilombolas e colônia de pescadores. Em 2004, seu projeto de rede de colaboração solidária foi contemplado com R$ 500 mil do Projeto Petrobras Fome Zero. “As atividades foram realizadas de fevereiro de 2005 a fevereiro de 2006. O projeto foi renovado por mais um ano, de janeiro desse ano até janeiro de 2008”, conta Nicolau.
A Coorimbatá também recebeu prêmios. Em 2004, ficou em segundo lugar na categoria Processos do Prêmio Finep de Inovação Tecnológica. No ano seguinte, obteve o primeiro lugar na categoria Social do Prêmio Amazônia Samuel Benchimol.
Na sexta-feira, dia 1º de junho, a Rede de Pecuária do CPP é que será avaliada. O workshop ocorre no Hotel Fazenda Mato Grosso, das 8h às 18h30. Já o evento de avaliação da terceira rede, a de Bioprospecção (atividade que busca identificar componentes da fauna ou da flora com fins de exploração comercial sustentável), será realizado no dia 15 de junho, no Hotel Penhasco, em Chapada dos Guimarães.
CPP – O Centro de Pesquisa do Pantanal é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip) criada em 2004 que busca a produção de conhecimento e a formação de recursos humanos para subsidiar as políticas públicas voltadas ao uso sustentável do Pantanal, uma das maiores áreas periodicamente alagadas no mundo. Seus projetos envolvem cerca de 100 pesquisadores de instituições de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, entre professores, estudantes de graduação, mestrandos e doutorandos.
Fonte: Studio Press - Assessoria de Imprensa
 
© 2004 - CPP - Centro de Pesquisa do Pantanal - Site desenvolvido por Regina Silva