Pesquisas revelam resultados positivos através da rede de Bioprospecção
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20/03/2008 ]
As pesquisas desenvolvidas dentro da Rede de Bioprospecção do Centro de Pesquisa do Pantanal (CPP), apontam resultados positivos, tanto com os fitoterapicos quanto os inseticidas. Elas foram apresentadas durante o Workshop da Rede Pantaneira de Bioprospecção: “Novas parcerias, Novos Horizontes”, realizado pelo Centro de Pesquisa do Pantanal – CPP, nos dias 19 e 20 de março em Chapada do Guimarães – MT. Na oportunidade representantes das Universidades, Federal da Paraíba - UFPB e da Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, firmaram parcerias com o CPP.
O secretario Executivo do CPP, Paulo Teixeira de Sousa Jr, disse que este evento foi de grande importância porque, além de apresentar os resultados das pesquisas, proporcionou a troca de experiência e a cooperação na disseminação de conhecimentos. “É muito importante agregar as pessoas em vários estágios das pesquisas. E estas parcerias certamente irão melhorar o nível de atuação da rede”, destaca.
Pesquisas
Os pesquisadores da Universidade Federal de Mato Grosso-UFMT, Luiz Everson da Silva, Virgínia C. da Silva e Tereza N. Ribeiro apresentaram os estudos que estão sendo realizados com algumas espécies de plantas do pantanal para validação da informação etnobotânica, ou seja, verificar o seu desenvolvimento fitoterápico, com propriedades como anti-inflamatórios, anti-úlcerogênico, anti-diabético e anti-parasitário (Leishmanicida e doença de Chagas). Luiz Everson da Silva explicou que dentre as plantas pesquisadas, a Strychnos pseudoquina, conhecida popularmente como “Quina do Mato Grosso”, é bastante promissora. “As pesquisas com esta planta serão intensificadas e num prazo de aproximadamente seis meses, é possível uma resposta efetiva de que possa se transformar num fitoterapico”, enfatiza.
Os professores da Uniderp (MS) Rosemary Mathias, Silvio Favero e a professora da Universidade Católica Dom Bosco – UCDB, Karla Porto, apresentaram um projeto sobre a ação inseticida de extratos da planta Anacardium humile, conhecida popularmente como “cajuzinho do cerrado”, para o combate das larvas do mosquito Aedes aegypti (mosquito da dengue e febre amarela).
De acordo com a professora Karla Porto esta pesquisa aponta que dos testes realizados, até agora, o resultado é satisfatório para o número de mortalidade das larvas do Aedes. ‘Existe a viabilidade de a médio prazo desenvolver o produto final’, revela.
A pesquisadora Mônica J. Barbosa Pereira, da Universidade Estadual de Mato Grosso – UNEMAT, (Tangará da Serra) desenvolve pesquisas em parceria com a UFMT. Seu trabalho é focado nas necessidades da região e as pesquisas têm por objetivo viabilizar potencial inseticida, fungicida e herbicida de anoáceas (plantas do cerrado mato-grossense), para agir nas pragas (percevejos), doenças (ferrugem asiática) e plantas daninhas. Ela conta que o resultado obtido até agora, em pouco tempo de trabalho, é bastante promissor.
Parcerias
O professor da Universidade Federal da Paraíba – UFPB, Marcelo Sobral, elogiou o trabalho que é desenvolvido pelo CPP. “As novas interfaces entre a fitoquimica tradicional com aplicações regionais são bastante interessantes porque dão respostas aos problemas locais, ou seja, o trabalho é focado de acordo com as necessidades de cada região”.
Sobre a parceria firmada com o CPP ele disse que será na parte de identificação de constituintes quimicos ativos, além de colocar a disposição toda infra-estrutura da UFPB e o programa consolidado (pesquisas de pós-graduação - conceito internacional) adquirido ao longo de 30 anos de experiência.
Mario Geraldo de Carvalho, professor da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro – UFRRJ, disse que a parceria será no sentido de trabalhar no isolamento, identificação e determinação estrutural de substancias naturais das plantas.
“Atualmente há poucos especialistas nesta área no País e a contribuição do professor Mário Geraldo e sua equipe será muito importante para o desenvolvimento do nosso trabalho em Mato Grosso”, afirma a pesquisadora Virgínia C. da Silva.
Propriedade Intelectual
“Propriedade Intelectual: proteção de inovações no âmbito da pesquisa com produtos naturais”, foi uma das palestras que também despertou a atenção dos participantes do evento. A palestra foi ministrada por Leonor de Botton, gerente do departamento de Ciências da Vida do escritório Di Blasi, Parente, Vaz, Dias & Associados.
Leonor disse que sobre a proteção de inovações envolvendo substancias naturais há muitas controvérsias referente as questões éticas e ambientais. Há ainda questões legais indefinidas sobre os componentes pré-existentes na natureza; o grau de intervenção humana necessário para se tornar invenção; manipulação e recombinação de materiais já existentes; aplicação industrial; suficiência descritiva (depósito de cepas), dentre outras. Ela destacou a importância do pedido de patente, antes de qualquer publicação, seja de interesse comercial ou acadêmico.